QUEM TEM

Quem tem, um cão cujo dono nunca lhe dava qualquer importância, e comia o que achasse pela aldeia fora. Tinha as costelas bem salientes, barriga muito cansava e costas muito semi circulares. Cada casa onde entrasse saia acotado e com gritos. Muitas vezes sem motivos nenhuns, só por imitação, as crianças jogavam-lhe pedras; Quemtem era cão feio e tinhoso. Estava habituado ao seu mundo de miséria de desprezo. Restava conformar-se com atitude dos homens. De tanto tempo sem molhar a pele, Quemtem seguiu, um dia as mulheres que iam ao rio. Próximo deste, as mulheres aperceberam-se da presença do cão tinhoso e resolveram por diversão apedrejar o pobre animal. Quemtem, em corrida cansada fugiu para a mata. Ali, surpreendeu uma Jibóia que se aquecia ao sol. O animal estranhou o atrevimento do cão naquelas paragens, desatou a fugir pelas savana, arrastando-se pela terra. Deste modo, destruiu a casa do Sapo que muito próximo dali lavra olhou com o coração a dor acção praticada pela Jibóia. Furioso, marchava, cabeça dura, punho serrado e cara trancada. Com este andar, pisou os ovos da ave Mbokosu. A ave, vingou-se de forma muito trágica: queimou o capim. o fogo chegou até a aldeia, as casas estavam em chamas, todas, todas até a casa do dono de Quemtem. A vida ficou difícil para os homens e os animais, não havia abrigo nem folhas para comer. Reuniram-se os homens e os animais, Quemtem e o seu dono ficaram na tribuna de julgamento. O homem foi condenado. PROVÉRBIOS: Poderá a tua cabeça ocupar o prato, Se desejas colocar ali a do próximo CONTEXTO: O desprezo pelas minorias étnicas ou capacidades de grupos sociais, são fontes potentes dos conflitos.